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Meninas Cantoras de Campos lançam primeiro disco na Sala São Paulo

 Paula Maria Prado “Baixa expectativa não pode fazer parte de uma arte bem feita e com propriedade. Exijo o melhor sempre”, cravou Mere Oliveira, professora e mezzo soprano que esteve mais de 38 vezes no papel título da ópera “Carmen”, uma das peças francesas mais populares e bastante difícil, uma vez que a personagem principal fica 95% do espetáculo – de três horas de duração – em cena. E é com esse rigor que a cantora conduz pela música um grupo de 19 jovens com idade entre 10 e 17 anos: as Meninas Cantoras de Campos do Jordão, coro com dois anos de atividade e que acaba de ganhar um presentão: a gravação do primeiro disco, cujo lançamento ocorrerá no próximo dia 15, às 11h, na Sala São Paulo, o mais cobiçado palco clássico do país. O feito é resultado de quatro horas semanais com aulas ministradas por Mere (técnica vocal, fonética e repertório) e pelo professor Fábio Fagundes (teoria musical e solfejo), que atua também como pianista. “Esse é um projeto que tem uma flutuabilidade… Então, sempre que há vagas, fazemos nova seleção”, explicou Mere. “E, para um grupo amador, formado apenas por adolescentes e com tão pouco tempo de experiência, gravar um disco foi um desafio”, afirmou.

 

Dedicação

O CD foi gravado em tempo recorde: pouco mais de um mês – normalmente são necessários, ao menos, seis meses de preparação de todo o repertório. Entre os desafios: a pronúncia das palavras cantadas sem os vícios fonéticos tão comuns ao nosso vocabulário. “É importante pronunciar bem em respeito ao compositor e a quem aprecia a obra. E para isso, há técnica e normas”, ensinou Mere. “Limpar a pronúncia e fazer todas cantarem juntas já faz parte do espetáculo ser belo”. E, para ela, o resultado de tantas horas de dedicação é compensador. “As meninas são muito dedicadas e as gravações foram feitas praticamente ‘ao vivo’, sem os habituais takes para correção de imperfeições. Não há efeitos nem enganação”, disse a cantora. No repertório, o “Hino Nacional Brasileiro”; e “Cantate Domine” e “Buongiorno mia cara”, cânones tradicionais italianos. Também “Ode à alegria”, o célebre tema da Nona Sinfonia de Beethoven; e “Ó Abre Alas”, de Chiquinha Gonzaga; entre outras canções. “É muito interessante observar o despertar delas para a música. Não só para a erudita, mas o entendimento da música como arte. As meninas percebem que há canções utilitárias, feitas para dançar por exemplo, e aquelas para apreciação. E sob esse ponto de vista elas ampliaram horizontes”, contou a professora. Na Sala São Paulo, as Meninas Cantoras se apresentarão durante concerto do pianista Fábio Caramuru. Elas cantarão “Olélé Moliba Makasi”, tema folclórico congolês, e depois fazem “Bem-te-vi” com Caramuru ao piano.

 

“Elas estão ansiosas ‘plus advanced’! E os pais também!”, ri a professora. “E, ao mesmo tempo que a ansiedade acontece, elas agarraram o projeto com unhas e dentes. Eu sou linha dura, puxo a orelha porque sei que podem fazer ainda melhor. Mas, ao mesmo tempo, amo estar com elas e ver essas meninas se transformando em mulheres, cada uma com a sua personalidade”, continuou. “O projeto parte da música, mas falamos de arte, respeito, cidadania… Tenho muito orgulho”, finalizou Mere. Liderado pela AMECampos (Associação dos Amigos de Campos do Jordão), o projeto tem como patrocinador o hotel Toriba e, como padrinhos, Boulevard Genève, restaurante Matterhorn, pousada das Hortênsias, escola profª Dora Lygia e choperia Baden-Baden.   Fonte: Jornal O Vale

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